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Yoga para iniciantes

Patrícia Lima

Qualquer atividade física que iniciamos requer algumas recomendações importantes para evitar danos ao nosso corpo. Apesar de não ser uma atividade benéfica só para o corpo, a prática de yoga sem uma orientação adequada também pode ser fisicamente prejudicial. Com uma exposição maior na mídia, vemos artistas sendo fotografados ou filmados praticando alguns exercícios (que no yoga chamamos de ásanas) extremamente complexos para uma pessoa "normal". Quem tem interesse em conhecer yoga se acha incapaz de praticar tais exercícios.

Mas a prática de yoga pode ser para todo mundo desde que o iniciante se propõe a seguir algumas regras básicas para obter benefícios e evitar os prejuízos. Manter uma prática constante e ao mesmo tempo não se deixar seduzir apenas pelos exercícios "radicais" faz com que o progresso na prática seja constante e sólido. Realmente o yoga pode trazer serenidade, foco, discernimento e tudo mais para se obter qualidade de vida e autoconhecimento. Yoga não acontece apenas no nível físico, pois o ser é uma conexão do físico, mente e emoções, energia, consciência e alma. Mas a prática pode começar pelo físico e assim acessar os outros aspectos do ser. Muitos praticantes (e também alguns instrutores) super valorizam as práticas externas como os ásanas de difícil execução criando uma ideia de que yoga é algo mirabolante. O que não se pode chamar de yoga senão teríamos de considerar os profissionais do Circo de Soleil como yogues. Afinal eles são imbatíveis na performance física mas não utilizam isso como meio de autoconhecimento. Uma dieta vegetariana também não é pré-requisito à prática de yoga. Ser vegetariano não faz do yogue um ser humano mais evoluído do que os outros. É uma opção saudável e ética que nos faz pensar sobre um dos preceitos do yoga, que é ahimsa, a não-violência (o que não significa que os yogues vegetarianos são totalmente pacíficos). A prática de yoga para um iniciante pode ser mais simples do que impõe alguns instrutores.

Praticar por um longo tempo e com dedicação e respeito é a primeira das instruções eficientes. A segunda é desenvolver a habilidade de se desapegar da própria prática. Não se deixar seduzir pela estética e sim observar as reações que acontecem durante o processo sem se envolver com elas é a base necessária para se transformar num observador e descobrir que somos seres plenos, numa junção do denso ao mais sutil. Reconhecer cada uma das diferentes fases ou aspectos da prática também é conseqüência do yoga que nos proporciona o autoconhecimento. Nesse sentido podemos concluir que no yoga somos todos iniciantes. É um caminho que recomeça diariamente, que nos envolver só com as técnicas e nossa performance esquecendo o real objetivo já nos leva a uma condição inferior à do iniciante.


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