Todos os elementos para a sua felicidade j esto aqui. No h necessidade de correr, lutar, buscar, ou fazer um grande esforo. Basta ser. Thich Nhat Hanh
ARTIGO
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Postada em 03/08/2016 às 13:59:19
Ashtanga, Uma Vida de Yoga

Patrícia Lima

Ashtanga Vinyasa Yoga é método de yoga conhecido por usar o sistema de Vinyasa; que é o movimento em sincronia com a respiração; que tem sua origem no texto antigo chamado “Yoga Korunta”. Sri K. Pattabhi Jois juntamente com o seu Guru Sri T. Krishnamacharya decifrou todo o Yoga Korunta e tornou-se um grande pesquisador e divulgador desse método. Contrariando a visão ocidental do yoga essa prática para quem está iniciando é muito intensa no nível físico e mental. Porém ela produz força e resistência e a habilidade de transformar a mente inquieta ou estagnada numa mente clara e lúcida que é imprescindível para ter uma vida de yoga. Uma vida de yoga é acima de tudo viver em equanimidade. Essa equanimidade para os yogues é vivenciar equilibradamente todos os Purusarthas*; ou seja, as quatro metas do ser humano nesse mundo material, a saber: Dharma, Artha, Kama e Moksha. Dharma é o desempenho dos nossos deveres e obrigações para com a gente mesmo, família e a sociedade; Artha é a busca da vocação ou profissão, obtenção de meios próprios de vida tendo condições dignas de viver no mundo com abundância; kama são as atividades culturais ou artísticas, amor e gratificação dos sentidos; Moksa é a capacidade de nos libertar desse mundo material enquanto ainda estamos nele, usufruindo de tudo mas sem nenhum tipo de apego.

A vida é uma oportunidade para realizarmos essas quatro metas, porém elas não são tão simples de serem alcançadas. Sempre estamos negligenciamos algumas delas. Somos compelidos a buscar a que é mais fácil para nós. Para mim, Ashtanga Vinyasa Yoga é a simbologia dessa nossa dificuldade de trabalharmos a meta que nos é mais difícil de ser alcançada. Estender o tapete, cantar o mantra inicial e começar executando cinco Surya Namaskar A (a saudação ao sol) e mais cinco Surya Namaskar B, praticar todas as posturas em pé e ainda lembrar todos os vinyasas, drishtis e bandhas; posturas sentadas, invertidas (e ainda no final Utplutih, postura de lótus suspensa!) parece não ser para humanos. Ainda mais quando se propõe a praticar todos os dias. E a mente sempre julga, questiona, implica. Quer arrumar algum subterfúgio para a nossa incapacidade de manter o foco e eliminar nossa preguiça mental (e também a física). Com o tempo de prática, esses obstáculos já não existem mais. Talvez apareçam outros como o ego. E quando o ego entra em ação? Ah... o ego! Ele começa a gerar um diálago mental muito comum em todos os praticantes: “...acho que esse negócio de ashtanga é só para indianos malucos! Vê se eu preciso ter uma prática tão intensa assim? Eu quero conhecer outros métodos, ásana não é tão importante assim. Quero uma prática mais tranquila.” Quanto tempo perdemos ouvindo esse nosso lado exagerado de nos achar acima de qualquer técnica ou disciplina? Quanto tempo levará para compreendermos que a prática é simplesmente uma prática que nos revela muito sobre nós mesmos? Quando entenderemos que yoga não é definitivamente entretenimento para saciarmos a nossa vontade por “novidade”? Mas tudo isso faz parte do processo de autoconhecimento e quando conseguimos subjugar o ego durante essa prática obtemos conhecimentos valiosíssimos sobre nós mesmos. Obviamente Asthanga Vinyasa Yoga não é uma prática para todas as pessoas, já que somos diferentes. Cada ser é único no mosaico da vida. Existem vários métodos que atendem às necessidades e/ou condições pessoais de cada um. O que faz sentido para mim pode não fazer para você, mas nem por isso torna-se irrelevante. Naturalmente ao envelhecermos a prática torna-se mais suave, porém, com certeza o corpo terá muito mais saúde e disposição para continuarmos com uma vida de yoga. Em qualquer método de yoga, o tapete é como um divã e o analista é o nosso Eu Maior, se o ego, a mente e a consciência permitir.

*Purusartha: veja IV.34 dos Yoga Sutras de Patanjali.

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